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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Caminhada na parede do açude Banabuiú aumenta risco de acidente

Trânsito na parede do açude evidencia o perigo de caminhar pelo local (Fotos: José Avelino Neto)Trânsito na parede do açude evidencia o perigo de caminhar pelo local (Fotos: José Avelino Neto).

Para alcançar uma condição de vida saudável a prática de fazer caminhada tem se popularizado. Na Capital e em grandes cidades do Estado, há lugares apropriados para este hábito. Mas no interior esses pontos de apoio nem sempre existem e encontrar um local alternativo pode ser um sinônimo de perigo. Neste Município da região central, pessoas têm tomado o trecho da CE-153 da Rodovia Padre Cícero que passa por cima da parede do açude Arrojado Lisboa, e que dá acesso a cidades da região Central e Sul do Ceará. O risco de atropelamento é grande.

O tráfego de veículos de pequeno e grande porte, como ônibus e até carretas, evidencia o risco. O acostamento é pequeno e como a pista passa por cima da parede do açude, o perigo se torna ainda maior: de ambos os lados o que existe é um grande abismo. Em caso de um carro que perde o controle, não há para onde correr para se socorrer.

Acostamento é pequeno e dos dois lados há um abismo, o que evidencia o perigo.Acostamento é pequeno e dos dois lados há um abismo, o que evidencia o perigo.
A doméstica Ana Célia Santos, 44, vai ao local todas as tardes para fazer um percurso de quase três quilômetros, mas reconhece: “É muito perigoso mesmo mas eu moro longe e não tem para onde ir e pra fazer academia para quem é desempregada, nem sempre é possível”, afirma.  Ela mora na Vila dos Marianos, um bairro distante cerca de três quilômetros do Centro e diz que não há um local apropriado no vilarejo. “Se tivesse uma praça, um lugar melhor mas, não tem não!”.

Acidentes - De acordo com o setor de estatística da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), até julho deste ano o número de atropelamentos fatais nas CEs que cortam o Estado já chegava a 31. Outras 20 pessoas teriam ficado feridas. A soma atual já corresponde a mais da metade de todas as vítimas atropeladas nas CEs em 2015. No ano passado a PRE calculou que 49 pessoas morreram atropeladas. 109 pessoas ficaram feridas. Este ano o maior número de atropelamentos ocorreu na CE-060.

Em Banabuiú, no ano de 2008, já houve casos com vítimas fatais. Duas senhoras faziam caminhada no trecho da saída da cidade, no sentido a Fortaleza, quando foram colhidas por um caminhão que transportava pedras. As duas morreram na hora. Uma delas era a companheira de Márcio Pereira de Lima, 69. Até hoje, ele diz que ainda lamenta o ocorrido. “É muito triste perder uma pessoa desse jeito. Aquele dia foi muito ruim. Ela saiu, não voltou na hora em que costumava voltar e quando eu fiquei sabendo já era que ela estava morta. A gente tem é que pedir muito a Deus conforto para continuar vivendo”, desabafa o aposentado.

De acordo com a PRE, 31 atropelamentos já foram registrados nas CEs até julho deste ano.De acordo com a PRE, 31 atropelamentos já foram registrados nas CEs até julho deste ano.
Risco.

O próprio trecho onde as pessoas costumam fazer caminhada já registrou alguns acidentes. Em 2014 um homem perdeu o controle do veículo em que estava no momento em que passava por cima da parede do açude. O carro caiu no reservatório seco mas o motorista conseguiu pular do veículo a tempo. Mesmo diante dos registros, o casal Jurleudo Barbosa, 28, e Aclécia Amâncio, 32, continuam frequentando o lugar. “A gente acha o melhor lugar pra fazer caminhada porque é um ponto turístico, A gente vem sempre mas sabemos que é muito arriscado mesmo”, conta Jurleudo.

O tenente Welton de Oliveira, da PRE, reconheceu que o acostamento é quase inexistente na CE-153 que passa pelo açude de Banabuiú. “Ali não é um local apropriado por seu um trecho de rodovia estreito e praticamente sem acostamento. O ideal é que a população procurasse as praças da cidade”, explicou o tenente. O oficial conta que o órgão desempenha um trabalho de conscientização da população. “Quando a gente identifica esse tipo de atividade, procuramos fazer uma abordagem e explicar que ali não é um local apropriado, mas vai da consciência do cidadão em assumir o risco de se expor ao acidente”.

O responsável pelo departamento de esportes do município, Altamiro Sales, cita outros pontos da cidade que podem ser aproveitados pela população. “Nós temos aqui três praças, a do Centro, a da igreja e a do Dnocs, e ainda temos um campo de futebol, aberto. As praças são bem equipadas, arborizadas e sempre limpas, prontas pra receber esse povo”, pontuou Altamiro.

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